Parte Final : A misteriosa morte na Rua Domingos de Moraes.

Domingos de Moraes

Olá pessoal!!

Espero que curtam e surpreendam-se com a parte final deste conto!!!

**Para quem não conseguiu acompanhar a Primeira Parte é só clicar neste link: http://temnopedaco.com.br/a-misteriosa-morte-na-rua-domingos-de-moraes/

Boa leitura!!!

A Vila Mariana acordou triste naquela manhã nebulosa e gelada de inverno. Não se escutava o canto das cigarras e tampouco dos sabiás. Os moradores estavam chocados com a morte do boticário. Ícaro era um morador ilustre da Vila. Nasceu e cresceu no bairro. Desde a infância morava na mesma casa, localizada na Chácara da Glória. Era filho de italianos que migraram para o Brasil e fixaram residência no bairro em 1878.

Ícaro tinha 24 anos. Era um homem alto, forte, cabelo castanho claro e olhos da cor do céu. Fazia sucesso entre as mulheres, embora fosse solteiro. Tinha um coração bondoso e sua fama de bom farmacêutico  estendeu-se para outras localidades próximas da Vila. Era muito querido pelas pessoas.

Os moradores da Vila Mariana e também de outros bairros como:  Jabaquara, Bosque da Saúde e Cambuci estiveram presentes no funeral . Gente simples, famílias inteiras, tripeiros, trabalhadores do Matadouro Municipal e até mesmo as prostitutas, foram se despedir do boticário.

Exemplo de como eram os cortejos fúnebres da época.
Fonte: Site Iba Mendes

O Sr Malaquias, que encontrara o corpo, estava visivelmente muito abalado. Embora fosse mais velho que Ícaro, os dois eram muito amigos.

A Sra Margarida, esposa do Sr Malaquias,  acompanhava-o e o consolava. Ela era uma mulher muito vaidosa, mas já carregava em seu rosto as marcas do tempo. Tinha vergonha de sua aparência. Pouco saia de casa.Vivia reclusa, especialmente, após a morte de João.

João era filho do Sr Malaquias e de Dona Margarida. Ícaro e João eram muito próximos e sempre se divertiam juntos. Frequentavam os espetáculos de circo próximos ao Matadouro e também a alguns bailes promovidos na Vila. Há 03 anos João falecera de tifo.

O Sr Malaquias, junto com mais três homens, carregaram o corpo. Naquele tempo, os funerais duravam o dia inteiro e por isso havia revezamento para levar o caixão. No entanto, o Sr Malaquias fez questão de transportar o corpo do amigo durante todo o trajeto.

O cortejo percorreu as ruas do bairro, começou na Rua Domingos de Moraes , passou pela Estrada do Vergueiro e seguiu pela Avenida Paulista.  Todos  rezavam e cantavam cânticos religiosos. Foi assim até chegarem no Cemitério da Consolação.

Cemitério da Consolação.
Fonte: Acervo Estadão
Enterros no início do século XX
Fonte: Autor Desconhecido

Após o enterro, os homens foram beber o defunto num bar em frente ao cemitério, como era o costume da época. Regressaram de volta a Vila tarde da noite.

O Sr Malaquias e Dona Margarida foram até  a botica. Ela  estava com semblante tranquilo, correu os olhos pelo local e esboçou um leve sorriso. Foi quando voltou-se para o marido e disse:

-O senhor disfarçou muito bem, meu marido. Por um momento acreditei que  realmente estava abalado por Ícaro.

– Creio que sim, minha senhora. Ninguém jamais irá desconfiar o quanto estava feliz com a morte daquele patife, respondeu o Sr Malaquias.

– Até que enfim estamos vingados. Aquele ingrato e insensível rapaz nunca nos ajudou. Esbravejou Sra. Margarida.

– Teve o que merecia, comemorou Sr. Malaquias.

 O Sr. Malaquias começou a se recordar da raiva que sentia de Ícaro, por causa da morte de seu filho. Ele e a esposa nunca aceitaram o fato Ícaro não ter conseguido curar João, assim como fazia com muitos do bairro. O Sr Malaquias jurou vingança no leito de morte do filho.

Aproximou-se do boticário com intenção de matá-lo, mas queria que ele  tivesse uma morte lenta e sofrida como foi a de João. Planejou cada detalhe de como assassinaria Ícaro.

O Sr.Malaquias ia ter com Ícaro todos os dias, com a intenção de descobrir algo que fosse capaz de lhe causar uma morte dolorosa. Em uma das conversas, Ícaro mostrou-lhe uma planta venenosa que poderia  lentamente matar uma pessoa por asfixia.

No dia da morte de Ícaro, o Sr Malaquias apareceu na botica na hora do almoço, carregando um prato de comida preparado por Margarida. Não tinha esse costume, por isso o boticário estranhou. Insistiu para que Ícaro comece, sob o pretexto de que Margarida iria se aborrecer. Ícaro também não resistiu aquele arroz quente e fumegante que acabara de ser preparado. Comeu toda a comida.

No final da tarde, Ícaro começou a sentir-se mal. Estava sozinho. Da janela de sua casa,  o Sr Malaquias e a Sra Margarida viram com satisfação a aflição e os últimos momentos agonizantes da vida de Ícaro. Os dois haviam envenenado o boticário.

Fim!!!!

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Fontes:

Site Acervo EstadãoCemitério da Consolação. Disponível em: hhttps://acervo.estadao.com.br/noticias/lugares,cemiterio-da-consolacao,8580,0.htmttps://acervo.estadao.com.br/noticias/lugares,cemiterio-da-consolacao,8580,0.htm 

Site Iba Mendes – Cortejo Fúnebre do Conde Alexandre Siciliano. Disponível em: http://www.ibamendes.com/2012/06/os-grandes-funerais-do-brasil-ii.html

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A misteriosa morte na rua Domingos de Moraes.

Este conto envolve uma morte misteriosa na Rua Domingos de Moraes, ocorrida no inverno de 1902. O personagem principal era uma pessoa muito querida e influente. Nessa morte existem algumas curiosidades e quando você pensar que desvendou essas curiosidades, terá uma surpresa (…)

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