QUEBRANDO PARADIGMAS – O olhar do outro diante da pessoa com deficiência.

deficiência

  • Artigo escrito pela Dra Michelli Bertoni

De uma forma geral, se entende que uma pessoa deficiente é aquela que possui algum tipo de limitação, que pode ser física, mental, intelectual ou sensorial e que por conta disso não conseguiriam “existir” de forma plena e efetiva na sociedade como as demais pessoas.

Mas, segundo a Convenção Internacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, acredita-se que a deficiência está na sua relação com o meio em que convive e esse último podendo influenciar e impedir que a pessoa viva de forma plena, participante na sociedade, ou seja, existir como sujeito, mesmo que tenha algum tipo de limitação.

É muito importante pensar nisso, pois o comum é o foco na deficiência, enfatizando-a como responsável de todo o mal na vida do sujeito e não a relação do sujeito com deficiência e o meio em que vive.

O que nós queremos na vida é o básico: ser quem somos, ir e vir, trabalhar, ter nosso “canto”, sentirmos úteis, capazes, aceitos e amados, certo? Se sem deficiência ter esse básico precisamos de muito empenho e recursos emocionais e agora com deficiência? Ser deficiente na nossa sociedade ainda é algo que precisa de muito recurso emocional para lidar com o dia a dia, já que são muitas as barreiras arquitetônicas, profissionais, afetivas e sociais.

Hoje começarei a falar desse último, enfatizando o olhar do outro diante da pessoa com deficiência.

Vou propor uma reflexão mais profunda. Vamos pensar em uma criança que nasce com uma deficiência física. Para ela está tudo bem ser ela mesma, já que ela não tem referência de como é ser uma pessoa sem deficiência, ou seja, ela apenas sabe ser ela – com todos os seus desejos, vontades, fantasias.

O que acontece é que o olhar do outro sobre ela, as falas, as comparações e os comportamentos são muitas vezes recheados de “você não pode”, “você não consegue”, “você não tem”, “você é diferente” ou até mesmo os olhares de pena, desprezo, repulsa, toxicando-a desde cedo. Isso faz com que comece a introjetar sentimentos e pensamentos em sua psique de que ela possui algo de errado, que não é bem-visto ou aceito, fazendo com que se sinta diferente das demais pessoas e até mesmo duvidar que deve pertencer a sociedade.

Para ela superar isso, precisará de recursos emocionais para que possa “bancar” seu lugar de sujeito na sociedade, aquele que deseja, ama, cria. Crescer explorando suas potencialidades e sentindo as dificuldades inerentes apenas a ser humano enquanto sujeito e esse possui uma limitação mas que essa é apenas um detalhe.

Dra Michelli Bertoni, Psicóloga Clínica e Hospitalar, Especialista em Reabilitação da Pessoa com deficiência física e PCD.

Email: michelli.bertoni@hotmail.com
Insta: michellibertoni

Até mais

Beijocas apertadas

Dani

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