Conheça o “ Médico dos Pobres” da Vila Mariana dos anos 20.

Vila Mariana

(*)Foto Meramente Ilustrativa

Olá Pessoal!!!

Hoje a memória da Vila Mariana vai contar a história do Sr Francisco Tavares de Oliveira Filho, mais conhecido como Sr Chiquinho, o médico dos pobres da Vila Mariana.

A fonte para essa pesquisa foi o livro:    A história dos bairros de São Paulo , o bairro de Vila Mariana, do autor Pedro Domingos Masarolo. As fontes das fotos estão citadas no final do texto.

O Sr Chiquinho nasceu no bairro de Itaquera em 1875. Em 1918 formou-se na Escola Livre de Pharmacia, Odontologia e Obstetrícia, localizada no bairro do Bom Retiro.

Prédio da Escola Livre de Pharmacia, Odontologia e Obstetrícia em 1905.
Fonte: Site Memória USP.

Após a formatura, trabalhou cerca de dois anos no interior. Em 1920 veio exercer o seu ofício na farmácia do Dr Gama, localizada na Rua França Pinto.

O Sr Chiquinho era um profissional dedicado , portanto, logo a sua fama se estendeu pelo bairro. Com muito sacrifício e auxilio dos amigos, conseguiu comprar a farmácia do Dr Gama, porém a transferiu para a Rua Domingos de Morais, próximo a antiga estação de bondes da light.

Nosso ilustre farmacêutico, ficou conhecido como médico dos pobres, porque praticava o seu ofício com maestria e competência. Curava muitas pessoas,  por isso elas acreditavam que ele era médico. Cuidava dos pacientes, mesmo aqueles graves. Atendia com muita dedicação aqueles que não poderiam lhe pagar. Estava sempre disponível, independente do dia e horário.

 Era comum pessoas  virem  de outros bairros, tais como: Cambuci, Ibirapuera, Vila Clementino e Bosque da Saúde, com a crença de que só o Sr Chiquinho poderia curar-lhes.

Foto Meramente Ilustrativa

A especialidade do Sr Chiquinho era o trato com crianças. Logo cedo, em sua farmácia, mães faziam filas carregando crianças no colo, para receberem os cuidados desse farmacêutico.

O Sr Chiquinho ficou sob o comando da farmácia por cerca de 40 anos. Ele faleceu em 1961 e após a sua morte, seus filhos tocaram o negócio.

Não encontrei fotos do Sr Chiquinho e nem a localização exata de onde era a sua farmácia, para contar a vocês o que atualmente está instalado neste local. Quem souber, conta pra gente!!!

*** NÃO PERCAM o próximo conto: O Romance da Janela na Vila Mariana dos anos 50.

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Fontes:

A história dos bairros de São Paulo , o bairro de Vila Mariana, do autor Pedro Domingos Masarolo, págs 107-108

Site: Memórias Usp. Escola Livre de Pharmacia, Odontologia e Obstetrícia . Disponível em: . Disponível em: http://200.144.182.66/memoria/por/local/820-Solar_da_Rua_Tres_Rios

Quer ver outras Curiosidades ou Memórias do Bairro, clique aqui: https://temnopedaco.com.br/category/historia-dos-bairros/

Até a próxima!!!

Beijocas apertadas

Dani.

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Parte Final : A misteriosa morte na Rua Domingos de Moraes.

Domingos de Moraes

Olá pessoal!!

Espero que curtam e surpreendam-se com a parte final deste conto!!!

**Para quem não conseguiu acompanhar a Primeira Parte é só clicar neste link: http://temnopedaco.com.br/a-misteriosa-morte-na-rua-domingos-de-moraes/

Boa leitura!!!

A Vila Mariana acordou triste naquela manhã nebulosa e gelada de inverno. Não se escutava o canto das cigarras e tampouco dos sabiás. Os moradores estavam chocados com a morte do boticário. Ícaro era um morador ilustre da Vila. Nasceu e cresceu no bairro. Desde a infância morava na mesma casa, localizada na Chácara da Glória. Era filho de italianos que migraram para o Brasil e fixaram residência no bairro em 1878.

Ícaro tinha 24 anos. Era um homem alto, forte, cabelo castanho claro e olhos da cor do céu. Fazia sucesso entre as mulheres, embora fosse solteiro. Tinha um coração bondoso e sua fama de bom farmacêutico  estendeu-se para outras localidades próximas da Vila. Era muito querido pelas pessoas.

Os moradores da Vila Mariana e também de outros bairros como:  Jabaquara, Bosque da Saúde e Cambuci estiveram presentes no funeral . Gente simples, famílias inteiras, tripeiros, trabalhadores do Matadouro Municipal e até mesmo as prostitutas, foram se despedir do boticário.

Exemplo de como eram os cortejos fúnebres da época.
Fonte: Site Iba Mendes

O Sr Malaquias, que encontrara o corpo, estava visivelmente muito abalado. Embora fosse mais velho que Ícaro, os dois eram muito amigos.

A Sra Margarida, esposa do Sr Malaquias,  acompanhava-o e o consolava. Ela era uma mulher muito vaidosa, mas já carregava em seu rosto as marcas do tempo. Tinha vergonha de sua aparência. Pouco saia de casa.Vivia reclusa, especialmente, após a morte de João.

João era filho do Sr Malaquias e de Dona Margarida. Ícaro e João eram muito próximos e sempre se divertiam juntos. Frequentavam os espetáculos de circo próximos ao Matadouro e também a alguns bailes promovidos na Vila. Há 03 anos João falecera de tifo.

O Sr Malaquias, junto com mais três homens, carregaram o corpo. Naquele tempo, os funerais duravam o dia inteiro e por isso havia revezamento para levar o caixão. No entanto, o Sr Malaquias fez questão de transportar o corpo do amigo durante todo o trajeto.

O cortejo percorreu as ruas do bairro, começou na Rua Domingos de Moraes , passou pela Estrada do Vergueiro e seguiu pela Avenida Paulista.  Todos  rezavam e cantavam cânticos religiosos. Foi assim até chegarem no Cemitério da Consolação.

Cemitério da Consolação.
Fonte: Acervo Estadão
Enterros no início do século XX
Fonte: Autor Desconhecido

Após o enterro, os homens foram beber o defunto num bar em frente ao cemitério, como era o costume da época. Regressaram de volta a Vila tarde da noite.

O Sr Malaquias e Dona Margarida foram até  a botica. Ela  estava com semblante tranquilo, correu os olhos pelo local e esboçou um leve sorriso. Foi quando voltou-se para o marido e disse:

-O senhor disfarçou muito bem, meu marido. Por um momento acreditei que  realmente estava abalado por Ícaro.

– Creio que sim, minha senhora. Ninguém jamais irá desconfiar o quanto estava feliz com a morte daquele patife, respondeu o Sr Malaquias.

– Até que enfim estamos vingados. Aquele ingrato e insensível rapaz nunca nos ajudou. Esbravejou Sra. Margarida.

– Teve o que merecia, comemorou Sr. Malaquias.

 O Sr. Malaquias começou a se recordar da raiva que sentia de Ícaro, por causa da morte de seu filho. Ele e a esposa nunca aceitaram o fato Ícaro não ter conseguido curar João, assim como fazia com muitos do bairro. O Sr Malaquias jurou vingança no leito de morte do filho.

Aproximou-se do boticário com intenção de matá-lo, mas queria que ele  tivesse uma morte lenta e sofrida como foi a de João. Planejou cada detalhe de como assassinaria Ícaro.

O Sr.Malaquias ia ter com Ícaro todos os dias, com a intenção de descobrir algo que fosse capaz de lhe causar uma morte dolorosa. Em uma das conversas, Ícaro mostrou-lhe uma planta venenosa que poderia  lentamente matar uma pessoa por asfixia.

No dia da morte de Ícaro, o Sr Malaquias apareceu na botica na hora do almoço, carregando um prato de comida preparado por Margarida. Não tinha esse costume, por isso o boticário estranhou. Insistiu para que Ícaro comece, sob o pretexto de que Margarida iria se aborrecer. Ícaro também não resistiu aquele arroz quente e fumegante que acabara de ser preparado. Comeu toda a comida.

No final da tarde, Ícaro começou a sentir-se mal. Estava sozinho. Da janela de sua casa,  o Sr Malaquias e a Sra Margarida viram com satisfação a aflição e os últimos momentos agonizantes da vida de Ícaro. Os dois haviam envenenado o boticário.

Fim!!!!

Saiba como acompanhar os próximos contos  assistindo a este vídeo :

XiaoYing_Video_1550412119268

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Canal do YouTube :https://www.youtube.com/channel/UCKWvSMN2huGLaW4Mu3KTNmg

Fontes:

Site Acervo EstadãoCemitério da Consolação. Disponível em: hhttps://acervo.estadao.com.br/noticias/lugares,cemiterio-da-consolacao,8580,0.htmttps://acervo.estadao.com.br/noticias/lugares,cemiterio-da-consolacao,8580,0.htm 

Site Iba Mendes – Cortejo Fúnebre do Conde Alexandre Siciliano. Disponível em: http://www.ibamendes.com/2012/06/os-grandes-funerais-do-brasil-ii.html

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Eventos de Carnaval GRATUITOS na Vila Mariana!!!

Tem carnaval na Vila Mariana Gratuito . Tem evento para adultos e somente aqueles para crianças e famílias …

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Aprenda a cuidar de si e ter uma vida mais Feliz!!!

Cuidar de si

(*) Artigo elaborado pela Dra Fabiane Alves.

Quando pensamos sobre “O cuidado de si” vem logo o pensamento do quanto estamos sendo egoístas, pois aprendemos que temos que renunciar a nós mesmos e aceitar as regras de uma sociedade ou religião.

O olhar do outro para você que deseja cuidar da sua vida e preocupa-se consigo mesma é um olhar que te julga como uma criminosa.

E na verdade o cuidar de si é a construção da sua subjetividade, sua essência, sua identidade individual e única. 

Somente a coragem de construir sua subjetividade lhe dará o tão falado empoderamento, palavra muito citada nos dias atuais.

Empoderamento é saber que você pode, dentro dos seus limites e ética com o próximo ser e fazer o que quiser.

Cuidar de si é algo subjetivo também, cada um tem sua necessidade especifica e cada um tem seus motivos específicos para muitas vezes não conseguir identificar e a partir disso iniciar seu processo de cuidado, que é constante…

Todas as vezes que não sabemos o que fazer, temos que reconhecer nossa necessidade do outro e pedir ajuda, orientação, indicação e isso só nos enobrece e fortalece as relações.

O cuidar de si envolve muito mais que o cuidado com o corpo, inclui também o cuidado com o que penso, o que guardo na minha memoria e o que faço com ela. Levar a sério um tratamento e as minhas relações, seja familiar, de amizade ou relacionamento amoroso também é essencial no cuidado pessoal de cada um, pois isso influência na minha satisfação com a vida e o valor que darei a ela.

Sou responsável pela minha vida e pelo que acontece nela e por este motivo devo sentir-me no direito de decidir o melhor para mim, ainda que isso seja contrário a opinião de terceiros

Pense nisso!

Dra Fabiane Alves

Psicóloga Clínica, especialista em Psicopatologia e Saúde Pública pela FMUSP

CRP 06/121208

Contatos:

  • Tel: (011) 96596-8082


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Veja porque este ilustre morador da Vila Mariana recebeu o apelido de Nhonhô da Estrada!!!!

(*)Foto do bairro da Vila Mariana, aproximadamente, por volta do ano de 1900. Fonte: Site Estações Ferroviárias. O Link deste site está disponível no final do texto.

Olá Pessoal!!

Hoje tratei para vocês uma curiosidade sobre um morador das antigas da Vila Mariana, o Sr Nhonhô da Estrada. Pelo relato, acredito que ele tenha residido no bairro no início do séc XX, mais precisamente, a partir do ano de 1901.

Como fonte para redigir este artigo, utilizei o seguinte livro:  A história dos bairros de São Paulo , o bairro de Vila Mariana, do autor Pedro Domingos Masarolo.

Nhonhô da Estrada era um sitiante, nascido na Vila Mariana, cujo dedicava-se aos trabalhos em sua roça.

Recebeu este apelido, porque era dono de pequena propriedade rural, localizada entre as ruas da Saudade e Sena Madureira, estas próximas a Estrada do Carro, que era caminho para Santo Amaro.

Nhonhô era solteiro e morava com a sua mãe, Dona Mariquinha. Ele era um homem simples, cordial e amigo de todos que residiam no bairro e nas proximidades. Seu sítio era parada certa para o descanso de seus conterrâneos, que viajavam pela cidade utilizando carro de bois.

Foto meramente ilustrativa.

O autor relatou que, antes da chegada do progresso, a propriedade de Nhonhô era muito grande.  Inclusive, mencionou que atual rua Francisco Cruz pertencia ao seu lote de terra, onde nela existia uma capela, conhecida na época como Capelinha das Almas.

Esta rua (Francisco Cruz), conforme descreve o autor, servia de atalho para as tropas que vinham de Pinheiros e se deslocavam para a Estrada do Mar.

Foto meramente ilustrativa.

Com o início do progresso, Nhonhô perdeu parte de sua propriedade. A estrada de ferro dividiu-a ao meio e as terras pertencentes ao Caminho do Carro, tornaram-se de servidão publica, pois ligavam a Rua Domingos de Morais à Estrada da Saúde. Aos poucos, Nhonhô viu-se obrigado a vender mais lotes. Com a chegada definitiva do progresso, foram construídas residências no local em que era o sítio.

Ah, o livro não menciona qual era o verdadeiro nome de Nhonhô.

FONTES:

  • A história dos bairros de São Paulo , o bairro de Vila Mariana, do autor Pedro Domingos Masarolo, págs 75-76.
  • Site Estações Ferroviárias. Disponível em : http://www.estacoesferroviarias.com.br/v/fotos/vlmariana8901.jpg

* Para saber de mais histórias envolvendo os bairros da Vila Mariana, Vila Clementino e Mirandópolis, basta clicar aqui: http://temnopedaco.com.br/category/historia-dos-bairros/

Bem, espero que tenham curtido mais uma memória da Vila Mariana.

Até a próxima !!

Beijocas apertadas

Dani

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