O Romance da janela na Vila Mariana dos anos 50.

Vila Mariana

Vila Mariana, anos 50. Angelina, uma linda moça de 17 anos, foi morar no bairro e acabou despertando uma paixão inesperada e avassaladora no jovem Paulo.

Paulo, nascera e foi criado na Vila Mariana. Sempre morou na mesma casa, localizada na Travessa Tangará. Era um homem bonito, elegante e de porte. Bom camarada. Conhecia tudo e a todos no bairro.

Angelina era a nova vizinha de Paulo. Ela gostava de ficar na janela, observando o vai e vem das pessoas na rua. Seus cabelos castanhos costumavam a brilhar sob a luz do sol. A bela moça tinha os traços delicados.

Foto meramente ilustrativa

A Vila Mariana dos Anos Dourados, era um local romântico, onde as novelas de rádio dividiam espaço com as TVs preto e branco, que já tinham chegado em algumas casas do bairro.

A região era formada por grandes sobrados. Algumas ruas eram de paralelepípedos. No entanto, haviam ruas que terminavam a beira de chácaras ou simplesmente não davam em local algum. As árvores tipuanas também eram característica do local.



Vila Mariana – 1958. Rua França Pinto – próximo a rua Tangará.
Fonte: Site Pixabay. Autor Desconhecido.

Certo dia, Paulo passava pela rua , quando deparou-se com a imagem da bela Angelina debruçada na janela. Encantou-se imediatamente. Não conseguiu tirar os olhos da linda jovem.

Os dias foram se passando e a imagem de Angelina não saia da cabeça de Paulo.

O rapaz começou a passar constantemente em frente a casa de Angelina, com o intuito de observá-la e admirá-la.

Angelina, percebera os olhares de Paulo, achava-o bonito. Mas era uma moça recatada, típica dos anos 50. Pertencia a uma família conservadora.

Os flertes costumavam ser bastante contidos.

Paulo não sabia como poderia fazer para conversar com Angelina. Pensou em escrever um bilhete, mas temia que ela não o respondesse. Na época, quando as moças não respondiam aos bilhetes enviados pelos cavalheiros apaixonados, era mau sinal…

Porém, em certa ocasião, Paulo viu Angelina saindo de casa e resolveu segui-la.

Angelina caminhou calmamente pelas ruas da Vila Mariana em direção a padaria do Sr Jorge.

Na padaria, Paulo, cometido por sua paixão, tomou coragem e interceptou Angelina . Ele pediu que pudessem conversar. A jovem, receosa, a princípio o rejeitou.

Paulo ficou arrasado, mas estava disposto a conquistar o coração de Angelina. Insistiu com a jovem até que ela lhe cedesse um dedo de prosa. Angelina cedeu aos apelos do rapaz e os dois começaram a conversar.

Os dias foram se passando e a linda jovem também se encantou e se apaixonou por Paulo.

Naquela época, os namoros precisavam de autorização da família.

Paulo  foi até a casa de Angelina, solicitar permissão para namorar a moça. Naquele dia, ele estava tremendo e com muito medo da família de sua amada se opor. Porém, estava decidido que ficaria com Angelina a qualquer custo.

Para a felicidade de Paulo e Angelina, os familiares não se opuseram ao namoro.

 Eles namoraram e ficaram noivos.

Durante o noivado, Angelina foi a casa de Paulo, acompanhada por seu irmão. As moças nos anos 50, só poderiam sair com os namorados ou noivos, em companhia dos irmãos mais velhos.

A mãe de Paulo também estava encantada com a sua futura nora. Tanto é, que fez questão de mostrar a Angelina e também ao seu irmão, uma das preciosidades da família – o álbum de casamento da irmã de Paulo.

Ao folhear o álbum, o irmão de Angelina reparou que ela estava em uma das fotos.

– Angelina, olha, você está nesta foto com a sua amiga! – espantou-se o irmão da jovem.

Foto meramente ilustrativa

Todos ficaram muito surpresos. Na ocasião, Angelina tinha 15 anos, morava no bairro da Bela Vista e frequentava a iParóquia da Achiropita. Tinha ido ao casamento de uma amiga, mas, antes de assistir à cerimônia, viu o casamento da irmã de Paulo, que entrara antes.


Paróquia da Achiropita.
Fonte: Site Pixabay

Certamente, o amor de Paulo e Angelina já estava destinado a se cruzar em uma certa janela do bairro da Vila Mariana.

Angelina e Paulo ficaram noivos durante 04 anos. Casaram e formaram uma linda família, composta por quatro filhos, seis netos e sete bisnetos.

Casamento da Sra Angelina e do Sr Paulo. Foto verídica cedida pela Sra Angelina.

Sr Paulo e Sra Angelina. Foto cedida pela Sra Angelina.

(*) Esta é uma história verídica, cujo informações e fotos foram cedidas pela Sra Angelina, moradora do bairro, a qual agradeço imensamente a oportunidade de escrever esta linda história de amor!!

Fontes:

Fotos da Rua França Pinto em 1958 – Site Pixabay. Autor desconhecido.

Paróquia da Achiropita – Site Pixabay . Disponível em : http://Disponível em: https://i.pinimg.com/originals/15/6e/8a/156e8ac28b6b12dec56636ee6b1b0b98.jpg

Relato e Fotos cedidas pela Sra Angelina, protagonista deste conto.

Beijocas apertadas

Dani

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Parte Final : A misteriosa morte na Rua Domingos de Moraes.

Domingos de Moraes

Olá pessoal!!

Espero que curtam e surpreendam-se com a parte final deste conto!!!

**Para quem não conseguiu acompanhar a Primeira Parte é só clicar neste link: http://temnopedaco.com.br/a-misteriosa-morte-na-rua-domingos-de-moraes/

Boa leitura!!!

A Vila Mariana acordou triste naquela manhã nebulosa e gelada de inverno. Não se escutava o canto das cigarras e tampouco dos sabiás. Os moradores estavam chocados com a morte do boticário. Ícaro era um morador ilustre da Vila. Nasceu e cresceu no bairro. Desde a infância morava na mesma casa, localizada na Chácara da Glória. Era filho de italianos que migraram para o Brasil e fixaram residência no bairro em 1878.

Ícaro tinha 24 anos. Era um homem alto, forte, cabelo castanho claro e olhos da cor do céu. Fazia sucesso entre as mulheres, embora fosse solteiro. Tinha um coração bondoso e sua fama de bom farmacêutico  estendeu-se para outras localidades próximas da Vila. Era muito querido pelas pessoas.

Os moradores da Vila Mariana e também de outros bairros como:  Jabaquara, Bosque da Saúde e Cambuci estiveram presentes no funeral . Gente simples, famílias inteiras, tripeiros, trabalhadores do Matadouro Municipal e até mesmo as prostitutas, foram se despedir do boticário.

Exemplo de como eram os cortejos fúnebres da época.
Fonte: Site Iba Mendes

O Sr Malaquias, que encontrara o corpo, estava visivelmente muito abalado. Embora fosse mais velho que Ícaro, os dois eram muito amigos.

A Sra Margarida, esposa do Sr Malaquias,  acompanhava-o e o consolava. Ela era uma mulher muito vaidosa, mas já carregava em seu rosto as marcas do tempo. Tinha vergonha de sua aparência. Pouco saia de casa.Vivia reclusa, especialmente, após a morte de João.

João era filho do Sr Malaquias e de Dona Margarida. Ícaro e João eram muito próximos e sempre se divertiam juntos. Frequentavam os espetáculos de circo próximos ao Matadouro e também a alguns bailes promovidos na Vila. Há 03 anos João falecera de tifo.

O Sr Malaquias, junto com mais três homens, carregaram o corpo. Naquele tempo, os funerais duravam o dia inteiro e por isso havia revezamento para levar o caixão. No entanto, o Sr Malaquias fez questão de transportar o corpo do amigo durante todo o trajeto.

O cortejo percorreu as ruas do bairro, começou na Rua Domingos de Moraes , passou pela Estrada do Vergueiro e seguiu pela Avenida Paulista.  Todos  rezavam e cantavam cânticos religiosos. Foi assim até chegarem no Cemitério da Consolação.

Cemitério da Consolação.
Fonte: Acervo Estadão
Enterros no início do século XX
Fonte: Autor Desconhecido

Após o enterro, os homens foram beber o defunto num bar em frente ao cemitério, como era o costume da época. Regressaram de volta a Vila tarde da noite.

O Sr Malaquias e Dona Margarida foram até  a botica. Ela  estava com semblante tranquilo, correu os olhos pelo local e esboçou um leve sorriso. Foi quando voltou-se para o marido e disse:

-O senhor disfarçou muito bem, meu marido. Por um momento acreditei que  realmente estava abalado por Ícaro.

– Creio que sim, minha senhora. Ninguém jamais irá desconfiar o quanto estava feliz com a morte daquele patife, respondeu o Sr Malaquias.

– Até que enfim estamos vingados. Aquele ingrato e insensível rapaz nunca nos ajudou. Esbravejou Sra. Margarida.

– Teve o que merecia, comemorou Sr. Malaquias.

 O Sr. Malaquias começou a se recordar da raiva que sentia de Ícaro, por causa da morte de seu filho. Ele e a esposa nunca aceitaram o fato Ícaro não ter conseguido curar João, assim como fazia com muitos do bairro. O Sr Malaquias jurou vingança no leito de morte do filho.

Aproximou-se do boticário com intenção de matá-lo, mas queria que ele  tivesse uma morte lenta e sofrida como foi a de João. Planejou cada detalhe de como assassinaria Ícaro.

O Sr.Malaquias ia ter com Ícaro todos os dias, com a intenção de descobrir algo que fosse capaz de lhe causar uma morte dolorosa. Em uma das conversas, Ícaro mostrou-lhe uma planta venenosa que poderia  lentamente matar uma pessoa por asfixia.

No dia da morte de Ícaro, o Sr Malaquias apareceu na botica na hora do almoço, carregando um prato de comida preparado por Margarida. Não tinha esse costume, por isso o boticário estranhou. Insistiu para que Ícaro comece, sob o pretexto de que Margarida iria se aborrecer. Ícaro também não resistiu aquele arroz quente e fumegante que acabara de ser preparado. Comeu toda a comida.

No final da tarde, Ícaro começou a sentir-se mal. Estava sozinho. Da janela de sua casa,  o Sr Malaquias e a Sra Margarida viram com satisfação a aflição e os últimos momentos agonizantes da vida de Ícaro. Os dois haviam envenenado o boticário.

Fim!!!!

Saiba como acompanhar os próximos contos  assistindo a este vídeo :

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Fontes:

Site Acervo EstadãoCemitério da Consolação. Disponível em: hhttps://acervo.estadao.com.br/noticias/lugares,cemiterio-da-consolacao,8580,0.htmttps://acervo.estadao.com.br/noticias/lugares,cemiterio-da-consolacao,8580,0.htm 

Site Iba Mendes – Cortejo Fúnebre do Conde Alexandre Siciliano. Disponível em: http://www.ibamendes.com/2012/06/os-grandes-funerais-do-brasil-ii.html

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A misteriosa morte na rua Domingos de Moraes.

Este conto envolve uma morte misteriosa na Rua Domingos de Moraes, ocorrida no inverno de 1902. O personagem principal era uma pessoa muito querida e influente. Nessa morte existem algumas curiosidades e quando você pensar que desvendou essas curiosidades, terá uma surpresa (…)

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